Prior do Crato
D. António, Prior do Crato mais conhecido pelo cognome de o Prior do Crato (e, mais raramente, como o Determinado, o Lutador ou o Independentista, pela ênfase posta no recobro da independência de Portugal), era filho ilegítimo do infante D. Luís e neto de Manuel I, tendo sido um dos pretendentes ao trono português durante a crise sucessória de 1580. Foi aclamado rei de Portugal, na ilha Terceira nos Açores, mas nunca foi realmente rei.

Nesta quinta hoje conhecida com Quinta de Aboim(1) esteve escondido o D. Anbtónio Prior do Castro que tinha nesta província muitos corações delicados ainda hoje existe o esconderijo que é difícil de encontrar, mas sabemos que existem pessoas na freguesia que sabem a sua localização. Foi daqui igualmente que D. António fugiu para Viana ou Caminha e onde depois embarcou para França.
“Nasceu em Lisboa, em 1531, sendo filho natural do infante D. Luís e neto do rei D. Manuel I. Estudou em Coimbra, onde se licenciou em Artes em 1551, e estudou também Teologia em Évora, com os Jesuítas. Recebeu as ordens de diácono, professou na Ordem de Malta e foi-lhe atribuído o priorado do Crato. Recusou as ordens de presbítero, passando a levar uma vida muito mundana, o que lhe criou a antipatia do cardeal Infante D. Henrique e da rainha D. Catarina, vindo a ser suspenso do priorado do Crato, em 1565, pelo papa Pio IV. Em 1568 foi nomeado governador de Tânger, e participou na Batalha de Alcácer Quibir em 1578, onde foi feito prisioneiro, mas sendo dos primeiros a ser resgatado.
Com a morte de D. Sebastião, que não deixou descendentes, sucedeu-lhe o cardeal D. Henrique, mas mantinha-se o problema da sucessão. Surgiram vários candidatos ao trono, entre eles D. António, que chegou a ser eleito rei pelo povo, em Santarém, em 19 de junho de 1580. Como grande adversário surgia Filipe II de Espanha.
D. António esperava o apoio da Inglaterra e da França, grandes opositores dos espanhóis, mas tal não aconteceu e o seu fraco exército viu-se derrotado pelo duque de Alba na Batalha de Alcântara. D. António teve de fugir e refugiou-se em Calais. Decidido a continuar a luta, foi para os Açores, onde voltou a ser derrotado, tendo-se então refugiado definitivamente em França, onde veio a falecer em 1595.”
(1) QUINTA DE ABOIM (ABOIM DAS CHOÇAS)
José Cândido Gomes, no seu manuscrito, faz a seguinte descrição:
“É um antigo vínculo dos Pereiras, fundado pelo abade de Cabana Maior António Pereira, a quem sucedeu uma filha natural de nome Catarina Pereira que foi casada com João de Araújo Azevedo. A estes sucedeu Fernão Pereira de Araújo e Azevedo que casou em Bertiandos com D. Maria Pereira Pinto. Não houve filhos deste matrimónio, mas o dono da quinta teve bastardo a Tristão Pereira Pinto de Araújo e Azevedo, que mandou educar, e foi casado com D. Violante Pereira. Tristão Pereira foi juiz de Fora em várias terras e deixou um filho que foi António Pereira Pinto de Azevedo, pai do 1.º Conde da Barca, António de Araújo e Azevedo. Os últimos senhores da Quinta de Aboim foram Nicolau Gomes de Abreu e mulher, Ana Amália de Araújo Azevedo, que a venderam ao botiqueiro desta vila João Bernardo Pereira ou antes à filha deste, Júlia, em 1884. Diz-se que nesta casa esteve escondido durante algum tempo o Prior do Crato, que tinha nesta província muitos corações dedicados à sua causa. Foi daqui que D. António foi embarcar a Viana ou Caminha com destino a França. Achado de moedas romanas no monte de Crasto: Já a folha 90v., nos referimos a ele, mas do Arch. Port., vol. XIII, 96, que nos foi dado ler, respigamos o seguinte: “As moedas estavam relativamente bem conservadas, pois de cerca de 250, que me foi permitido examinar, pude decifrar 213, que distribuí da seguinte forma: De – Flávia Maximiana Theodora, 2; Flávia Júlia Helena, 3; Constantino I, 33; Constantino II, 5; Constante, 66; Constâncio II, 57; Juliano, 17; Valentiniano I, 4; Valente, 7; Graciano, 6; Magno Máximo, 2; Theodósio, 5; Arcádio, 6. Total, 213.”
Bibliografia
- Infopedia
- Wikipédia
- Gomes, José Cândido (1900). “As Terras de Valdevez: memórias históricas, descritivas, arqueológicas, estatísticas, genealógicas, e biográficas, coligidas e coordenadas”. (Vol. III)
Tipo de documento
ManuscritoAutores
José Cândido GomesReferência bibliográfica
Gomes, José Cândido (1900). “As Terras de Valdevez: memórias históricas, descritivas, arqueológicas, estatísticas, genealógicas, e biográficas, coligidas e coordenadas”. (Vol. III) (Manuscrito). [S.l.: s.n.]